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A vivência de profissionais para quem toda hora é momento de celebrar ser mulher

Sempre, em março, precisamente no dia 8, elas são reverenciadas. Essa reverência dura esse dia e, ao longo do ano, parece invisibilizada. O universo feminino é carregado das mais variadas emoções e cobranças. Ser profissional e, ao mesmo tempo, mãe e conduzir a família, ser delicada, ser forte, ser exemplo, saber lidar com as cobranças de uma sociedade machista, patriarcal e opressora.

  Diante de tudo isso, ainda é preciso haver inteligência emocional para driblar e atravessar toda forma de preconceito e discriminação. Ainda assim, ela se mantém forte por excelência e suporta toda pressão e opressão, mas corresponde com total maestria, categoria, feminilidade e, também, elegância.  

   Seja em qualquer continente do planeta, elas sofrem uma pressão e frequentemente exclusão e violência pelo simples fato de serem mulheres. Muitas vezes, além da condição de mulher, a cor da pele e o gênero também sofrem sob o peso desse preconceito: O machismo, o racial e também o transfóbico.

  Com toda essa pressão, o universo feminino se impõe e se revela competente sem perder a capacidade emocional, intelectual e mesmo o bom humor. Desde a Inquisição, no período dos séculos XV-XVIII, são vítimas de opressão. Naqueles séculos milhares delas foram queimadas rotuladas de bruxas, devido seus conhecimentos sobre ervas medicinais, partos e também por serem dotadas de dons para “predizer o futuro”.

  Relembramos aqui a observação histórica da escritora e feminista Rose Marie Muraro (1930-2014), no prefácio da obra “Malleus Maleficarum”, “O Martelo das Feiticeiras”, um manual sobre a inquisição muito utilizado no século XVII, escrito pelos inquisidores Heinrich Kramer e James Sprenger, no ano de 1486. Na versão brasileira dessa obra que incitava a inquisição às mulheres consideradas bruxas, Rose Marie Muraro escreveu uma introdução lúcida e reflexiva sobre o machismo, “citando a época em que a sociedade era matriarcal e de quando os homens descobriram que podiam se utilizar de sua força física para subjugar as mulheres, passando a ter o controle social com todas as vantagens que poderiam obter a partir daí”, por Lúcia Facco em 2008, no site “Brejeira Malagueta” (2008), da editora Malagueta.

  Diante dessa discussão histórica e secular de opressão às mulheres, ainda que tenha acabado o período da inquisição, elas permanecem veladamente vítimas de uma “inquisição sem fogo”, porém bastante opressora, e o movimento feminista, que tem seu surgimento no século XIX, para combater toda forma de repressão às mulheres, está em evidência para mostrar essa violência sutil do patriarcado. 

No Brasil, os números são muito positivos e revelam que elas se reproduzem de maneira quase que poética, apesar do poder do patriarcado. Segundo o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2022, elas somam 104,5 milhões de mulheres e 98,5 milhões de homens, sendo 6 milhões de mulheres a mais do que homens.    

  Esse texto é uma homenagem às mulheres e busca tratar do tema sem fazer dele uma editoria de polícia, diante das mortes recorrentes, preocupantes, assustadoras e covardes de vítimas do feminicídio praticado pelas mãos de homens cruéis e extremamente covardes.    

 De motorista de caminhão, pedreira ou peoa de fazenda, mulheres quebram paradigmas e revelam potencial surpreendente    

Aparecida da Silva transporta animais vivos há mais de 49 anos pelas estradas do Brasil (Arquivo Pessoal)

Entre essas mulheres, Vila Morena encontrou e conversou com algumas delas que moram no Mato Grosso do Sul, como Adriana Aparecida da Silva, 49 anos, motorista profissional de Veículo de Transporte de Animais Vivos (VTAV), há mais de 24 anos. Adriana carrega principalmente gado, num caminhão que é ocupado de boi. Nas mãos dela está um veículo cujo peso inicial é de 10 a 15 toneladas, e, dependendo do modelo do veículo, pode levar na gaiola boiadeira de 30 a 90 bois gordos, conforme legislação brasileira.

  Adriana explica com orgulho que a paixão e a escolha pela profissão vieram por meio da admiração e do amor de acompanhar o pai, que era boiadeiro e sustentou a família com esse trabalho, ao lado da mãe dela, uma costureira dedicada que ajudava no orçamento da família.

Como toda atividade profissional tem seus desafios, o de mulher motorista de caminhão não é diferente, e vencer a dúvida e o machismo expressos claramente por alguns homens sobre a capacidade como profissional também chegou até Adriana. “Alguns homens sempre duvidam da capacidade de dirigir e assumir uma carga viva para transporte, mas tem muitos que admiram. Preconceito? Sim, já sofri uma forma muito ignorante de outro caminhoneiro, que veio tirar o caminhão da empresa em que ele trabalha do lado do meu caminhão, dizendo que “mulher no volante é problema”. Como toda categoria, a profissional revela que ignorou o comportamento dele.

No dia a dia, a motorista de VTAV conta que, apesar de realizar um trabalho árduo, é preciso superar preconceitos e mesmo assédio de homens. Ainda assim, considera ser possível entregar um bom trabalho. “É possível, sim, trabalhar na área masculina sem perder a feminilidade e manter a posição de respeito sem dar muita conversa a muitos engraçadinhos que acham que têm direito a fazer brincadeiras de mau gosto. Me distanciei de pessoas assim”, conta com naturalidade e segurança.

Se na rua, no trabalho, Adriana esbarra em situações que precisa de jogo de cintura para lidar e sair com categoria, é na família que está todo apoio que precisa para mostrar seu potencial e realizar um trabalho de qualidade cada vez mais. “Minha família sempre teve muito orgulho e nunca foi contra mim nessa profissão que herdei de meu pai, meu filho, meu irmão e sobrinho que sempre estão comigo. Meu pai e mãe também tinham muito orgulho, mas já não estão mais aqui”, explica com emoção. Ela acrescenta que, mesmo em uma atividade com uma imagem muito masculina, não perde a vaidade em um só instante, o que pode ser um antídoto para superar o medo e as surpresas dessa tarefa, que não deixam Adriana esmorecer.

  “Sou sim uma mulher vaidosa, gosto de me vestir de calça, bota, camisa e chapéu ou boné (estilo country), e de maquiagem, um batom. A maior barreira é perder o medo e ser muito corajosa em serras, atoleiros, pontes quebradas e estradas muito perigosas, enfrentando temporais e esse sol aqui da nossa região.”

  Como uma mulher vibrante e orgulhosa da profissão e de seu desempenho, durante a conversa, Adriana fala com paixão por seu caminhão, sua ferramenta de trabalho, e deixa uma dica para as mulheres que temem o mercado de trabalho machista.

“O conselho e a dica que deixo para mulheres que querem seguir essa profissão é que foquem no seu objetivo, fiquem longe de pessoas pessimistas e tenham muita fé em Deus. Porque preconceito, mulher sofre em qualquer profissão e lugar. Mas sempre repito: “lugar de mulher é onde ela quiser” e não se deixe perder o respeito”, encerra orgulhosa, Adriana.

A força física e a disposição profissional da pedreira azulejista

A curiosidade levou Aparecida Siqueira a buscar capacitação como azulejista (Arquivo pessoal)

Seguindo a reportagem, encontramos Aparecida Siqueira Lima, 53 anos, moradora de Anastácio, Mato Grosso do Sul. Essa mulher é outra profissional que atua num ofício que também tem no homem um número bem grande de trabalhadores. Aparecida é pedreira, azulejista e conta que, no início da atividade, sofreu bastante preconceito, ao ponto de ser desacreditada pelas pessoas. Ao mesmo tempo, ele tinha outra parcela que confiava em seu potencial. “Como tudo na vida, às vezes tem um lado bom e um lado ruim. Mas o preconceito existe mesmo. Não tem como a gente fugir disso. Mas, graças a Deus, eu me tornei uma profissional, fiz muito serviço e dá gosto receber muitos elogios.” 

 Realizando um trabalho que exige muita força física, Aparecida conta que não perde a disposição e, para provar sua capacidade, encara o ofício ao completar tarefas que muitos homens não conseguem fazer, e isso é motivo pessoal de muito orgulho e a satisfação de sentir-se realizada com o que faz, independentemente de qualquer coisa. Sua formação profissional se deu por meio de um curso oferecido pela prefeitura da cidade e, entre as opções, tinha o de azulejista, que chamou a atenção de Aparecida, que decidiu se inscrever e estudar. Para a formação, ela passou pelo curso de servente de pedreiro, pedreiro e, finalmente, azulejista, com nota dez ao final do curso.

  Como toda mulher em qualquer área da sociedade, o assédio dos homens e os riscos da profissão, principalmente numa que exige muita força física e exposição ao sol. “Dos homens a gente não se importa. É só não dar ouvidos. Fazem muitas gracinhas mesmo; isso aí não tem outro jeito. É da natureza do ser humano. Mas, para mim, o trabalho é árduo. Na verdade, é um trabalho pesado. É um trabalho em que o sol é quente demais, a altura. A todo momento a gente está correndo riscos. Várias vezes já sofri acidentes. Teve uma certa vez que caí de um andaime e, graças a Deus, não me machuquei seriamente, mas faz parte da profissão. “Sempre procuro trabalhar com muito cuidado”, explica Aparecida.

  A família sempre é um apoio e amparo que fortalece não apenas qualquer pessoa, mas, em especial, as mulheres e, principalmente, aquelas que optaram por romper paradigmas e realmente estar no lugar que elas quiserem. “Minha família gosta disso. Inclusive, minha mãe e meu pai, quando eram vivos, quando eu me tornei pedreira, tinham o maior orgulho. Isso é muito gostoso, é muito legal. Eu me sinto muito realizada, porque as pessoas que já me viram trabalhando elogiam; são muitos elogios”, encerra Aparecida, cheia de orgulho.

Segura, peoa

Maria Nilce já sofreu preconceito pela profissão de peoa, mas nada a faz desistir (Foto: Arquivo Pessoal)

Quem também enfrenta o desafio de realizar uma tarefa muito comum entre os homens é Maria Nice, 47, que trabalha como peoa de confinamento de gado (sistema intensivo de engorda rápida do bovino com nutrientes como ração e muita água) há 17 anos. Nice, como é mais conhecida, é casada, tem um filho de 17 anos e mora em uma e revela que já sofreu preconceito. “Já sofri preconceito de pessoas que falam que você não vai conseguir fazer o serviço de homem porque acham que nós, mulheres, não somos capazes, mas meu patrão confia que eu sou capaz de fazer um trabalho de homem.”   Além desse ofício árduo, Nice coloca ordem em casa, na sua segunda jornada, com o filho adolescente e o marido, a quem ela revela ser muito durona.

Consideradas bruxas em tempos remotos, hoje, com mãos de fada, as mulheres revelam a todo instante que conseguem realizar qualquer tipo de trabalho, mostrando cada vez mais seu potencial, sua força e resistência.

Helio Tinoco

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