Todos os anos, desde o século passado, no dia 8 de março, o mundo dedica espaço para exaltar o Dia Internacional da Mulher Falar da criação deste dia e exaltar a força, a potência e o poder do gênero feminino seria “chover no molhado”. Hoje, o que devemos dedicar a esse dia, e principalmente, é sair em defesa de um ser humano que ultimamente tem sido alvo recorrente e cada vez mais cruel, exclusivamente, por parte de homens covardes, desumanos e medíocres, que não conseguem ter dimensão humana harmoniosa e segura, e, então, se dedicam a atacar de maneira brutal, fria e fisicamente uma mulher que, apesar de toda sua força e poder, está e permanece impotente e muitas vezes desprotegida, apesar de todas as leis que lhes garantem proteção.
Neste dia 8 de março, venho atacar o masculino medíocre, cruel e nefasto, que nesse momento em algum lugar pode estar agredindo o gênero feminino. Não o considero insano, porque esses seres vivos agem em plena consciência ao ponto de, após um feminicídio, uma agressão, fugirem como covardes em potencial. Execrar essa espécie humana deve ser a função de cada pessoa sensata que se afeta profundamente ao tomar conhecimento da morte, de uma agressão a uma mulher, principalmente por feminicídio. Excluir esses sujeitos do convívio social se faz mais que urgente. Afinal, as leis atuais já provaram que agonizam com suas vítimas sem penalizar com o devido rigor da lei um agressor.
Está mais que na hora de autoridades que compõem o judiciário, legislativo e executivo, entenderem essa violência crescente e repentina, como algo a ser revisto ao lado também de segmentos sociais.
A Lei 14.994/2024 aumentou para 20 a 40 anos de reclusão um assassino, o que nos parece não ser o ideal, basta ver o resultado de certos julgamentos. Uma assustadora e acelerada estatística aponta que, em 2025, quatro mulheres foram assassinadas por dia no Brasil.
O país registrou, no referido ano, o número de 1470 mulheres assassinadas no nosso território nacional, pelo simples fato de serem mulheres. Esse foi o maior registro efetuado desde que o feminicídio foi tipificado como crime.
Dados apontam que o ano de 2025 entrou para a história sendo um dos mais violentos para as mulheres no Brasil. Para esse início de 2026, os dados ainda prematuros indicam que, em 50 dias do novo ano, cerca de 200 casos foram estimados extraoficialmente (já desatualizado).
Esses números revelam que, apesar de estarmos no século XXI, de toda evolução tecnológica, social, econômica e política, a condição da mulher permanece no lugar de primitivismo. O desrespeito às mesmas mostra que “evoluímos” na “periferia social”, ou seja. Hoje, debatemos temas que em outras épocas eram silenciados, mas não conseguimos pôr fim à submissão imposta ao feminino de maneira ainda velada, porém nítida a partir de uma leitura sobre machismo e patriarcado.
Quando olhamos para os números de crimes cometidos contra elas, percebemos neles a resposta de que as mulheres permanecem preteridas aos olhos de uma sociedade estruturada pelo falo político e social desde tempos remotos.
Evoluiu a sociedade; demos a elas o direito ao voto, mas não demos voz. Permitimos que as mesmas usassem biquínis, calça comprida, cortassem os cabelos ou raspassem a cabeça, saíssem com a barriga de grávida desnuda, se desquitassem sem sofrer preconceito, foram trabalhar fora de casa mesmo tendo o turno doméstico nas costas, porém, tudo sob um controle masculino social, como um prêmio de consolação.
A evolução tecnológica se fez e faz, acelerada, mas o que é nítido perceber é que nós, sujeitos sociais, ainda estamos retrógrados dessa evolução plena, geral e irrestrita a todas, principalmente, e a prova desse olhar pode estar no fato de que não conseguimos penalizar com total rigor o feminicídio (daí o ajuste da lei de tempos em tempos) e nem mesmo o espaço da mulher dentro da sociedade. Políticas à parte, mas o impeachment da presidenta Dilma Rousseff também ocorreu pela força masculina na pressão de convencer o inconsciente coletivo sobre a incompetência da mulher numa liderança extrema.
Os crimes são cometidos sob as maiores barbáries, porém a pena ao assassino, ao agressor, é muito ínfima e nunca leva esse criminoso a pagar, na íntegra, a selvageria por ele cometida, diante das lacunas e possibilidades da lei.
Não quero terminar esse texto com ar pessimista, nem traumático ou como um registro policial.
Apesar de precisarmos estar atentos e exigentes para a questão da mulher, é impossível não destacar sua importância, seja no esporte, na política (mesmo sem voz), na educação, na arte, na cultura, março,enfim, em todas as áreas onde o ser feminino toca, tudo se transforma poeticamente.
É o dom de gerar vida, e também vidas imateriais, porém de profundo valor e importância para todos nós. Não fossem as mulheres, o mundo seria frio, carrancudo, tenebroso e sombrio e certamente iria cheirar mal e mau pelo odor exalado da rudeza do masculino tolo e inseguro, que teme a força do poder oriundo da delicadeza de uma mulher. Diante desse pavor, o homem vai lá e despetala essa flor da maneira mais desprezível possível e, para ratificar sua fraqueza, foge e se desculpa com a frase “foi para lavar minha honra”.
Foto: Agência Brasil


