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Passados mais de 100 anos,  persiste opressão à mulher 

Vila Morena by Vila Morena
08/06/2025
in Opinião
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No dia 28 de fevereiro de 1909, mulheres saíram às ruas nos Estados Unidos para reivindicar condições dignas de trabalho em fábricas onde a força de trabalho predominante era formada por mulheres. A iniciativa ecoou, e as francesas, no mês de março de 1909, unidas ao movimento socialista, marcharam por direitos iguais na economia e pelo direito de votar.

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Dois anos depois, em 25 de março de 1911, um incêndio em uma fábrica têxtil que não oferecia condições adequadas de trabalho nos Estados Unidos matou 123 trabalhadoras, e, a partir dessa data, passaram-se a fazer comemorações em memória das trabalhadoras vítimas do incêndio.

No dia 8 de março de 1917, as mulheres de Petrogrado (hoje São Petersburgo) se mobilizaram na manifestação Pão e Paz, como um dos primeiros atos que antecedeu a Revolução Bolchevique de outubro de 1917.

O fato é que o Dia Internacional da Mulher tem origem em episódios de organização por condições dignas de trabalho, por igualdade salarial, pelo direito ao voto, por condições dignas de vida, por paz, e em homenagem às trabalhadoras vítimas de acidente de trabalho em ambientes inadequados.

Passados mais de 100 anos, persiste ainda a opressão sobre a mulher pelo homem. E isso repercute e faz imperar as condições de desigualdade de trabalho, de condições inseguras e indecentes de trabalho, de diferença de salário, de condições indignas de moradia, de jornadas duplas de trabalho em condições de vida inadequadas.

Toda falta de infraestrutura na moradia e do saneamento básico, no transporte, na segurança, nas condições de alimentação, no acesso à educação, à cultura e ao lazer, no acesso à saúde, tudo que não é ofertado e adequado impacta nas condições de vida das mulheres.

A desvantagem que se impõe até os dias de hoje sobre as mulheres impacta sobre a saúde, e a somatória de múltiplos fatores de risco é causa de desequilíbrios físicos e psíquicos.

O primeiro problema que observamos é a ocupação plena do tempo com obrigações do trabalho e de casa, de forma que o tempo para o cuidado de saúde fica comprometido, o diagnóstico atrasa, o tratamento não ocorre, e o ciclo culmina com perda de chance e de qualidade de vida.

Nos nossos tempos e no nosso território, as reformas trabalhista, fiscal e da previdência vêm impor perda de estabilidade e de direitos, em um mundo em desequilíbrio dominado por relações de consumo, que se impõem para assegurar condições decentes de trabalho, de transporte, de alimentação e de conforto, necessárias para assegurar as energias para o dia seguinte.

Mas não é isso que ocorre, em pleno ano de 2025, além da precariedade das condições de trabalho e de vida, observa-se com regularidade notícias de mulheres presas como reféns, feminicídios bárbaros e diferentes se repetem, como reflexo do patriarcado machista, de relações abusivas e a violência doméstica, que encontra proteção na impunidade e na falta de aplicação a contento das leis, sem que observemos políticas protetivas eficientes para acolher e atender e reconstruir o universo das mulheres vítimas de violência.

Como o dia 08 de março é um dia de luta, que todos os homens e mulheres pactuem por organização de ações em cada local onde se encontrem, para romper com o machismo estrutural, e para assegurar todos os direitos iguais entre homens e mulheres, em um mundo equilibrado, com condições dignas de vida para todas e todos.

Detalhe do cartaz alemão para o Dia Internacional da Mulher, 8 de março de 1914. 

Ronaldo de Souza Costa é médico do Trabalho e atual superintendente do Ministério da Saúde, em Mato Grosso do Sul

Tags: Dia Internacional da MulherDireitos da MulherHistória dos Direitos da MulherResiliência feminina
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