A mais nova febre da cultura alternativa e boêmia de Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, a Rua 14 de Julho, no centro da cidade, será transformada, nos dias 30 e 31 de maio de 2026, em um grande espaço cultural com as mais diversas manifestações.
Além de muita cultura e gastronomia, o evento com o título Revoada Cultural pretende transformar uma região que, durante o dia, oferece comércio de varejo e, à noite, se transforma num corredor cultural de lazer. Serão shows de música para todo tipo de público, com roda de samba de raiz, pagode, pop, rock, karaokê e DJs. Será quase um dia de evento, a partir das 12 horas até a meia-noite, em um espaço de ocupação com os mais variados estilos de arte popular e alternativa, como shows, batalhas de rima, feira gastronômica, literatura, dança e artesanato.
Para entender melhor o movimento cultural atual em Campo Grande e saber mais sobre essa grande iniciativa, a revista Vila Morena conversou com Carlos Porto, diretor geral da Revoada Cultural.
Vila Morena – Como será essa Revoada Cultural em Campo Grande?
Carlos Porto — Serão 24 horas de cultura, divididas em dois dias, com 12 horas de manifestações artísticas por dia. O evento reunirá diversas expressões culturais e diferentes vertentes da cultura brasileira em um palco montado no centro urbano de Campo Grande. A ideia da Revoada é levar informação cultural e toda essa diversidade para esse espaço urbano, criando uma oportunidade para os moradores e para as pessoas que frequentam a região vivenciarem, celebrarem e compartilharem essas manifestações culturais durante os dias do evento.

Vila Morena – O movimento cultural da cidade e do estado recebe incentivos à altura ou há falta de
interesse por parte das autoridades? Se existe essa falta de interesse, de onde ela parte e como isso dificulta o desenvolvimento de ações culturais?
Carlos Porto – Uma coisa é o papel do poder público no desenvolvimento e na continuidade de políticas públicas voltadas para a cultura. Outra é o papel da iniciativa privada, como o nosso caso, que conta com apoio do Ministério da Cultura e de parlamentares que investem, por meio de emendas parlamentares, em organizações da sociedade civil para que entidades privadas possam desenvolver ações culturais voltadas ao interesse público. São funções diferentes.
Nós, da iniciativa privada, realizamos manifestações culturais de interesse da população. Muitas vezes, existe uma demanda maior do que a nossa capacidade de atendimento. Por isso, é importante deixar claro que há um papel específico do poder público e outro da iniciativa privada. Nós fazemos nossa própria curadoria, escolhemos os convidados e possibilitamos que essas manifestações artísticas e esse entretenimento cheguem à população que estará presente no evento.
Vila Morena – O que leva a esse desinteresse em um investimento mais forte em cultura? Por que produzir cultura, principalmente alternativa, em Campo Grande ainda é difícil?
Carlos Porto — Eu vejo que o poder público poderia fazer mais. Os gestores públicos precisam inverter a lógica atual e compreender que cultura também é saúde, assim como o esporte também é saúde. Se houvesse essa compreensão, a distribuição do orçamento poderia gerar resultados muito melhores para as atividades culturais e para todas as manifestações artísticas. O governo federal tem investido em programas como a PNAB, mas ainda falta que o município e o Estado ampliem esses investimentos e fortaleçam o apoio à iniciativa privada. Muitas vezes, a iniciativa privada não consegue fazer tudo o que precisa ser feito porque a demanda é muito alta.
Vila Morena – Na sua opinião, existem segmentos da sociedade que temem o desenvolvimento social provocado pela cultura, principalmente a cultura alternativa?
Carlos Porto — Enquanto produtor cultural, procuro desenvolver ações que façam a sociedade compreender a importância dessas manifestações e da inclusão de pessoas que historicamente foram excluídas do processo cultural. Essas pessoas precisam ter oportunidades. O poder público também precisa cumprir o seu papel, garantindo espaço para todos que produzem cultura com qualidade, tanto nas ações do Estado quanto do município.
Vila Morena – Você acredita que existe perseguição contra determinados segmentos culturais?
Carlos Porto — Eu não diria que existe perseguição. Acho que há muita desinformação, principalmente por parte de alguns agentes públicos, sobre o processo cultural e sobre o impacto positivo que a arte e as manifestações culturais podem gerar para o ser humano e para a sociedade. Vejo isso mais como desinformação do que perseguição. Claro que alguns grupos mais extremistas podem agir de forma persecutória, justamente porque entendem que a cultura é transformadora. O amor é transformador, as palavras são revolucionárias, o livro é revolucionário. Talvez seja isso que algumas pessoas temam.
Entre os artistas que se apresentarão na Revoada Cultural está o rapper GOG, o pioneiro do rap no Distrito Federal, popularmente conhecido como “Poeta do Rap Nacional”, que é um dos nomes mais importantes da história do hip hop brasileiro. O artista se apresenta no dia 30 de maio.
Uma manifestação cultural do povo, pelo povo e para o povo.
A Revoada Cultural, realizada pelo Instituto Imolé — que significa “Força da Natureza” — conta com apoio do Ministério da Cultura e do Governo Federal. Trata-se de um evento gratuito que será realizado nos dias 30 e 31 de maio, das 12h à meia-noite, na Rua Maracaju, no cruzamento com a Rua 14 de Julho, no centro de Campo Grande. A proposta é reunir diferentes manifestações artísticas e culturais em uma programação aberta ao público, promovendo a ocupação do espaço urbano por meio da arte, da música e da cultura.
Ao longo dos dois dias, o público poderá acompanhar shows musicais, apresentações de dança, teatro, literatura, cultura urbana, batalhas de rima e intervenções artísticas, além de atrações que contemplam diferentes estilos musicais, como hip hop, samba, rock, MPB, sertanejo, eletrônico e forró.
O evento também contará com uma Feira Cultural, reunindo expositores de Campo Grande nas áreas de gastronomia e artesanato, fortalecendo a economia criativa local e valorizando produtores e artistas da cidade.
Conheça o Instituto Imolé: https://www.institutoimole.com.br/.

