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A resiliência é uma mola de transformação social

Vila Morena by Vila Morena
18/08/2026
in Opinião
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A resiliência é uma mola de transformação social
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Dizer da mulher é dizer sobre resiliência; capacidade de transformar adversidades em catalisadores de mudança

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No ano passado, três brasileiras estiveram na lista da BBC por suas histórias de vida. Rebeca Andrade (atleta e medalhista de ouro nas Olimpíadas em Paris) que, desde os dez anos de idade, caminhava quilômetros para chegar ao local dos treinos. E na adolescência, sua mãe ia a pé por mais de duas horas para o trabalho para que Rebeca fosse de ônibus para os treinos.

Lourdes Barreto (ativista pelos direitos das prostitutas), cofundadora da rede brasileira de prostitutas nos anos 80, dedicou a vida à luta por melhores condições de trabalho e pela dignidade das profissionais do sexo. Teve papel fundamental nas políticas públicas de prevenção do HIV no Brasil na área de garimpos da Amazônia.

E Silvana Santos (bióloga e pesquisadora), doutora pela UFPB (Universidade Federal da Paraíba), em sua pesquisa, investigou doenças genéticas raras em áreas rurais marginalizadas do Rio Grande do Norte. Identificou a Síndrome de Spoan, uma rara doença genética neurodegenerativa em decorrência de casamentos consanguíneos.

Mulheres que, apesar das adversidades, inspiram outras mulheres com histórias de transformação social. Incontáveis outras mulheres brasileiras caberiam nesta lista.

Histórias de mulheres resilientes como estas não foram possíveis, pois algumas mulheres tiveram suas vidas interrompidas pela violência. É o que ocorre em Mato Grosso do Sul, Estado que ocupa o topo dos casos de violência contra a mulher. Em 2024, as estatísticas apontaram 35 casos de feminicídio, e até fevereiro de 2025 foram registrados seis casos de mulheres que foram mortas por seus companheiros. Os casos de violência doméstica em 2024 chegaram a 20.390 e 2.987 casos até fevereiro de 2025. A luta das mulheres por respeito, visibilidade e dignidade é incessante.

Necessário se faz reunir esforços para fortalecer uma rede de enfrentamento à violência contra a mulher. É fundamental que a mulher acredite em seu potencial transformador, em seus desejos e pensamentos, e que se livre das marcas, dos rótulos que tentam colocar nela e das violências que dilaceram seu psiquismo e, por vezes, destroem sua vida. Fazer a escolha de qual mulher ela quer ser e não qual mulher esperam que ela seja. Respeitar seu desejo de ser mulher, resiliente e continuar dia após dia na luta por seus direitos. Se unir a outras mulheres que, juntas, se opõem ao patriarcado e ao machismo. Que constroem e defendem leis de proteção, respeito e dignidade às mulheres e fortalecem a democracia.

Parabéns a todas as milhares de mulheres que seguem firmes na construção de suas histórias de vida.

Que nossas vidas sejam respeitadas, celebradas e não silenciadas.

Lilian Zeola é psicóloga pela Unesp Bauru, especialista em psicologia clínica e jurídica pela Instituição Prominas, bacharel em Direito pela Estácio de Sá e mestre em Educação pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul).

Tags: Dia Internacional da MulherResiliência feminina
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