vilamorena.com.br
sexta-feira, outubro 2, 2026
No Result
View All Result
  • Cotidiano
  • Início
  • Economia
  • Mundo
    • América Latina
  • O Lado G
  • Opinião
  • Sobre
  • Contato
SUBSCRIBE
vilamorena.com.br
  • Cotidiano
  • Início
  • Economia
  • Mundo
    • América Latina
  • O Lado G
  • Opinião
  • Sobre
  • Contato
No Result
View All Result
vilamorena.com.br
No Result
View All Result
Home Cotidiano

“Carnaval não cria caráter, ele escancara”

Helio Tinoco by Helio Tinoco
05/03/2026
in Cotidiano
1
“Carnaval não cria caráter, ele escancara”
79
SHARES
1.3k
VIEWS
Share on FacebookShare on Twitter

Festa, lucro, lacração. Todos os anos o Carnaval oferece a possibilidade de um mergulho em possibilidades discursivas. Paganismo? Resistência? Coletividade? Para avaliarmos a importância cultural dessa festa universal, conversamos com o jornalista e estudioso Fernando Fraga, autor do livro “Notas de Carnaval”.

You might also like

Atores de teatro independente driblam falta de incentivo fiscal colocam o talento acima de tudo

China completed almost 40% fewer skyscrapers in 2021, report says

Lideranças LGBTI+ comemoram conquistas da comunidade ao longo da caminhada e mantêm alerta a busca por direitos

Fraga defende o caráter transformador da festa e o lado positivo desse significado.  “Avaliar o Carnaval de hoje em comparação ao de ontem é, antes de tudo, entender que a festa mudou porque o mundo mudou. O Carnaval continua sendo o mesmo em essência: encontro, exagero, crítica social e alegria, mas as formas se transformaram. O Carnaval de hoje é mais diverso e democrático. Há mais espaço para diferentes vozes, corpos, estilos e narrativas. Blocos de rua se multiplicaram, resgataram a ocupação das cidades e aproximaram a festa de quem antes só assistia de longe. A tecnologia também ajudou: transmissão ao vivo, redes sociais e registros digitais ampliaram o alcance do Carnaval, levando a folia para além da avenida e do horário fixo”.  

Na avaliação do jornalista, a transformação positiva da festa não deixa de exibir também um lado negativo.  “Ao mesmo tempo, muitos sentem que o Carnaval perdeu um pouco da espontaneidade. A lógica comercial, o excesso de patrocínios e a preocupação com a imagem, sobretudo nas redes sociais, acabam, em alguns casos, engessando a festa. Há quem diga que hoje se “performar” o Carnaval é tão importante quanto vivê-lo. Além disso, a profissionalização excessiva pode afastar o improviso, que sempre foi uma das almas da folia”.  Para o jornalista, esses dois lados acabam se equilibrando.  As mudanças não são nem totalmente positivas, nem totalmente negativas. Elas refletem o tempo em que vivemos. O Carnaval de ontem tinha mais ingenuidade; o de hoje tem mais consciência. O desafio atual é equilibrar tradição e inovação, espetáculo e liberdade, memória e futuro, sem perder aquilo que faz o Carnaval ser Carnaval, ou seja, a capacidade de suspender a rotina e revelar quem somos quando a fantasia cai.”

Capa do livro do livro “Notas de Carnaval” – do jornalista Fernando Fraga – foto: Arquivo Pessoal

     Embora seja tratado como festa pagã devido à origem pré-cristã numa celebração a Dionísio, para o jornalista, “o Carnaval carrega, sim, uma herança pagã. Antes de ser calendário, foi rito. Antes de virar feriado, foi transgressão. Nas festas dedicadas a Dionísio, celebrava-se o corpo, o excesso, o vinho, o riso e a suspensão das regras. Esse espírito atravessou séculos, foi cristianizado, domesticado, criticado, mas nunca eliminado. E talvez aí esteja sua força.”

  Para o estudioso da folia, há um favorecimento da festa para o coletivo que se joga na diversão. “Mas não de forma ingênua ou romântica. Favorece porque funciona como válvula de escape social, cultural e simbólica. Durante o Carnaval, hierarquias se embaralham, críticas ganham fantasia e o povo fala, às vezes gritando, às vezes cantando. É um espaço legítimo de catarse coletiva. Negar isso é ignorar que sociedades precisam de rituais para lidar com tensões, frustrações e desigualdades. Por outro lado, o Carnaval expõe exageros. Há excessos de álcool, violência pontual, exploração comercial e uso político raso. Mas isso não é criação do Carnaval, é reflexo da própria sociedade.

Fraga, contudo, alerta para a responsabilidade de quem decide participar. A festa apenas amplifica o que já existe. Culpar o Carnaval por esses problemas é confundir o espelho com o rosto. O incômodo com o Carnaval costuma vir do medo da liberdade. O corpo que dança, a crítica que ri, a sátira que desafia o poder sempre incomodou estruturas rígidas. O Carnaval não obriga ninguém a participar. Ele oferece. Cada um entra, ou não, conforme suas escolhas, valores e limites. Brincar Carnaval pode contribuir de forma positiva ou negativa, e a diferença não está na festa em si, mas na forma como cada cidadão se relaciona com ela. O Carnaval pode ser profundamente saudável. Ele libera tensões acumuladas, fortalece vínculos sociais e oferece um raro espaço de pertencimento. Ao brincar, o cidadão se reconhece como parte de algo maior, a rua, o bloco, a escola, a cidade. Isso humaniza. Além disso, a festa estimula criatividade, expressão corporal, identidade cultural e até consciência política, já que o Carnaval sempre foi palco de crítica social, ironia e resistência.  Para muita gente, brincar Carnaval é também um exercício de liberdade responsável: escolher fantasia, circular pela cidade, conviver com diferenças e aprender limites coletivos. Isso forma cidadania.”  

  Fernando Fraga ainda provoca: “O cidadão brinca Carnaval ou é engolido por ele?” Quem encara a festa como celebração consciente tende a sair mais leve, mais conectado e até mais crítico. Quem usa o Carnaval como desculpa para romper todos os limites costuma sair esvaziado, não fortalecido. Brincar Carnaval, por si só, não define ninguém. Mas revela muito. Pode ampliar o senso de comunidade, liberdade e alegria ou expor fragilidades que já estavam ali. O Carnaval não cria caráter; ele escancara. E, quando bem vivido, contribui mais para formar cidadãos do que para deformá-los.”

  Em uma avaliação “panorâmica” sobre a folia, o autor de “Notas de Carnaval” faz uma análise acerca dessa festa que, hoje em dia, ainda carrega referências dos carnavais de um passado bem distante.  “O Carnaval de hoje bebe, sim, da água dos Carnavais de antigamente porque a festa precisa de raiz para não virar produto descartável. Fanfarras e marchinhas não voltam por nostalgia vazia; elas retornam porque carregam algo que o tempo não conseguiu substituir: simplicidade, participação coletiva e identidade popular. As marchinhas falam fácil, grudam rápido e não exigem palco nem tecnologia. Todo mundo canta, erra junto, ri junto. Elas devolvem ao folião um protagonismo que, em certos momentos, o Carnaval excessivamente profissionalizado acabou tirando. Já as fanfarras resgatam o som da rua, do improviso, do corpo em movimento, um Carnaval que anda, não apenas assiste.

O jornalista também chama a atenção para outro fato: a resistência cultural. “Em tempos de playlists algorítmicas, hits descartáveis e músicas pensadas para durar uma estação, as marchinhas funcionam como memória viva. Elas atravessaram décadas porque dialogam com o cotidiano, com o humor político, com o absurdo da vida real. E isso continua atual. Outro ponto importante: o cansaço do excesso. O Carnaval moderno, em alguns momentos, ficou grande demais, caro demais, ensaiado demais. O retorno às fanfarras e marchinhas é uma resposta a isso, uma busca por afeto, proximidade e pertencimento. É o desejo de um Carnaval mais humano, menos espetacular e mais vivido.”

Foto abre: Agência Brasil
Local: Rio de Janeiro – desfile do Cordão da Bola Preta – 14-02-2026

Tags: Carnaval 2026
Share32Tweet20
Helio Tinoco

Helio Tinoco

Recommended For You

Atores de teatro independente driblam falta de incentivo fiscal colocam o talento acima de tudo

by Helio Tinoco
27/08/2026
0
Atores de teatro independente driblam falta de incentivo fiscal colocam o talento acima de tudo

Uma companhia de teatro de Campo Grande, formada por jovens atores apaixonados pela arte de representar, reflete o amor à cena e o desejo de levar cultura à...

Read more

China completed almost 40% fewer skyscrapers in 2021, report says

by jgomeia@gmail.com
10/07/2026
0

Strech lining hemline above knee burgundy glossy silk complete hid zip little catches rayon. Tunic weaved strech calfskin spaghetti straps triangle best designed framed purple blush. I never...

Read more

Lideranças LGBTI+ comemoram conquistas da comunidade ao longo da caminhada e mantêm alerta a busca por direitos

by Helio Tinoco
18/06/2026
0
Lideranças LGBTI+ comemoram conquistas da comunidade ao longo da caminhada e mantêm alerta a busca por direitos

A parada LGBTI+ de São Paulo completa 30 anos em 2026, sendo a caminhada mais importante para o movimento, embora a do Rio de Janeiro seja a mais...

Read more

A existência que se divide entre a luta e o luto: o armário não acolhe e pode levar à morte

by Helio Tinoco
08/06/2026
0
A existência que se divide entre a luta e o luto: o armário não acolhe e pode levar à morte

 Escrevo este texto inspirado e embalado pela música “Balada de Gisberta”, interpretada por Maria Bethânia e Liniker: “E a distância até o fundo é tão pequena...”   Junho...

Read more

Movimento red pill esbanja covardia, insegurança e fragilidade, por isso mata

by Helio Tinoco
24/05/2026
0
Movimento red pill esbanja covardia, insegurança e fragilidade, por isso mata

 Que o mundo está se transformando na velocidade do mundo digital e, com essa condição, se revelando a cada instante mais estranho e preocupante, traz a reboque a...

Read more
Next Post
Mulheres vítimas de violência ganham direito a reconstrução dentária pelo SUS

Mulheres vítimas de violência ganham direito a reconstrução dentária pelo SUS

Comments 1

  1. Ricardo Machado says:
    8 meses ago

    Como muito bem citado pelo Fernando Fraga, “Carnaval é também um exercício de liberdade responsável: escolher fantasia, circular pela cidade, conviver com diferenças e aprender limites coletivos. Isso forma cidadania.” Sabemos que lidar com as diferenças, é uma regra fundamental, antes, durante e depois do carnaval.

    Responder

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Related News

Baixa remuneração e dificuldade em ascender às chefias são barreiras

19/08/2026
O nome que poderá virar sinônimo de traição

O nome que poderá virar sinônimo de traição

03/08/2025
Carnaval não é pecado

Carnaval não é pecado

14/02/2026

Browse by Category

  • América Latina
  • Cotidiano
  • Economia
  • Mundo
  • O Lado G
  • Opinião
vilamorena.com.br

Vila Morena é um veículo de comunicação independente fundado por jornalistas.

CATEGORIAS

  • América Latina
  • Cotidiano
  • Economia
  • Mundo
  • O Lado G
  • Opinião

TAGS

Brics (3) Brilhante Ustra (1) Carnaval 2026 (3) Colaboração Brasil e Rússia (1) Coluna Lado G (8) comunidade LGBTQIA+ (2) Cryptocurrencies (1) Desemprego (1) Dia Internacional da Mulher (20) diplomacia brasileira (1) Direitos da Mulher (13) Direitos humanos (4) Diversidade (1) ECA (1) educação (3) Espaço Feminino (3) Faixa de Gaza (2) Flotilha da Liberdade (2) Fome em Gaza (2) Genocídio em Gaza (3) Genocídio Palestino (3) Global Sumud Flotilla (1) Golpe de 64 (1) Greta Thunberg (2) História dos Direitos da Mulher (9) Horto Florestal Campo Grande (2) Jair Bolsonaro (1) Jair Bolsonaro condenado (1) Lado G (1) LGBTQIA+ (2) Masculinidade tóxica no trabalho (3) Mercado de Trabalho (1) Obligation (1) Palestina Livre (2) PEC da Blindagem (2) Regulação Internet (1) Regulação Redes (1) Resiliência feminina (12) sanções econômicas (1) Strategy (1) Tarifaço (1) Taxas EUA ao Brasil (1) Trabalho da Mulher em Mato Grosso do Sul (3) Trama Golpista (1) Violência contra a Mulher (9)

© 2026 Engenho Conteúdo

No Result
View All Result
  • Cotidiano
  • Início
  • Economia
  • Mundo
    • América Latina
  • O Lado G
  • Opinião
  • Sobre
  • Contato

© 2026 Engenho Conteúdo

Are you sure want to unlock this post?
Unlock left : 0
Are you sure want to cancel subscription?