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Atores de teatro independente driblam falta de incentivo fiscal colocam o talento acima de tudo

Uma companhia de teatro de Campo Grande, formada por jovens atores apaixonados pela arte de representar, reflete o amor à cena e o desejo de levar cultura à população. Em meio às dificuldades de montar um espetáculo sem incentivo de leis de fomento, eles encontraram no trabalho coletivo a força para resistir e seguir criando.

Para revelar o significado dessa dedicação, no dia 26 de julho, às 18h30, o grupo sobe ao palco do Teatro Aracy Balabanian, localizado na Rua 26 de Agosto, 453, no Centro de Campo Grande, para apresentar a peça “O Baile de 1976”.

São 15 atores que se revezam nas funções de produção, direção, figurino e cenários, num verdadeiro mutirão movido pela paixão de representar.

Entre eles está Felipe Vieira, coreógrafo de cena do espetáculo, que divide os bastidores com a atriz Ana Carolina — também integrante do elenco e responsável pela produção e direção da montagem.

Em conversa com a reportagem do Vila Morena Notícias, Felipe Vieira detalhou todo o processo de escolha do texto, os desafios da montagem e a importância do incentivo à arte cênica.

Vila Morena – Como foi reunir o elenco e decidir pelo texto? 

Felipe Vieira: A ideia de “O Baile 1976” surgiu do desejo de revisitar um clássico do terror sob uma nova perspectiva. Inspirado no universo de Carrie, quisemos criar um espetáculo que fosse além da referência e tivesse uma identidade própria, trazendo uma narrativa intensa, atual e capaz de provocar diferentes emoções no público. A formação do elenco aconteceu de forma muito especial. Reunimos pessoas com diferentes experiências, mas que tinham algo em comum: a vontade de fazer teatro com dedicação e verdade. Durante os ensaios, o grupo foi criando uma conexão muito forte, e isso acabou se refletindo na construção dos personagens e na força da história. Hoje, posso dizer que “O Baile 1976” é resultado de um trabalho coletivo, em que cada integrante deixou sua marca e contribuiu para transformar o espetáculo no que ele é.    

Vila Morena – Vocês recebem incentivo das Leis Rouanet, Aldir Blanc, Paulo Gustavo ou de outro fundo?  

Felipe — Não. “O Baile 1976” é uma produção independente, realizada sem recursos de leis de incentivo ou editais públicos. Todo o espetáculo vem sendo construído com muito esforço, investimento da própria equipe, apoio de parceiros e colaboração de pessoas que acreditam no projeto. Isso torna cada conquista ainda mais significativa e reforça a importância de o público prestigiar produções independentes. 

Vila Morena – Fazer arte em Campo Grande é complicado? O que dificulta esse ofício? 

Felipe — Fazer arte em Campo Grande ainda é um grande desafio. Existem muitos artistas talentosos, mas nem sempre há recursos, espaços ou incentivo suficientes para que esses projetos cresçam. Produzir um espetáculo exige investimento, tempo, dedicação e uma equipe comprometida. Além disso, conquistar público e manter produções independentes vivas é uma batalha constante. Mesmo assim, é justamente essa paixão pela arte que faz os artistas continuarem criando e fortalecendo a cena cultural da cidade.  

Vila Morena – Fale um pouco do espetáculo. 

Felipe — “O Baile 1976” é um suspense dramático inspirado no universo de Carrie. A história acompanha uma noite de baile que, à primeira vista, parece perfeita, mas que aos poucos revela conflitos, segredos, bullying, relações de poder e as consequências da crueldade humana. O espetáculo mistura tensão, emoção e momentos de grande impacto visual, levando o público a refletir sobre preconceito, exclusão e até onde nossas atitudes podem chegar.  

Vila Morena – Vai ter temporada da peça ou é apresentação única? 

Felipe: — Neste primeiro momento, o espetáculo terá uma apresentação especial. No entanto, existe o desejo de realizar novas sessões e, quem sabe, uma temporada futuramente, dependendo da recepção do público e das oportunidades que surgirem. A expectativa é que “O Baile 1976” possa alcançar cada vez mais pessoas. Será uma noite preparada com muito carinho para proporcionar ao público uma experiência intensa, emocionante e inesquecível. 

Vila Morena – Campo Grande tem um movimento cultural atuante? Como é a força da arte na cidade? 

Felipe — Sem dúvida. Campo Grande possui artistas extremamente talentosos nas mais diversas áreas: teatro, dança, música, artes visuais e audiovisual. O movimento cultural é muito vivo e existe uma grande vontade de produzir, inovar e ocupar espaços. O que muitas vezes falta são mais oportunidades, investimentos e valorização. Ainda assim, a arte resiste graças à dedicação de coletivos, produtores, professores e artistas independentes que continuam acreditando no poder da cultura para transformar pessoas e fortalecer a identidade da nossa cidade. 

Vila Morena – Qual a importância da imprensa para a arte de Campo Grande, como a do espetáculo, para a sociedade? 

Felipe — É muito importante que a imprensa abra espaço para as produções culturais locais, pois isso fortalece toda a cena artística de Campo Grande. Esperamos que o público prestigie “O Baile 1976” e viva essa experiência conosco. “O Baile 1976” é um projeto/peça teatral criado por três estudantes e amantes da arte e do teatro. O projeto tem a finalidade de proporcionar experiências como ator, palco e arte em geral, com a intenção de ter mais horas de palco para que assim consigamos horas para adquirirmos o DRT. A peça é uma releitura do filme Carrie, de Stephen King, com uma história eletrizante, aterrorizante e com muita crítica social. O corpo da peça é formado por pessoas LGBT (a maioria) e, com isso, vamos trazer muita visibilidade para nós, artistas. 

Serviço“O Baile de 1976”
Data: 26 de julho (domingo)
Horário: 19h
Local: Teatro Aracy Balabanian – Rua 26 de Agosto, 453 – Centro, Campo Grande – MS
Duração: 1h20
Classificação indicativa: Recomendado para maiores de 16 anos
Elenco
Kiora Schwebba, Ana Carolina Santos, Felipe Vieira, Karol Milk, Eloá Nowak, Jean Bastos, Rafaele Lucena, Carol Okama, Samara Escobar, André Castro, Henrique Teixeira, Fernanda Galindo, Louie Marques, Luiz Fiore e Nicolas Capelari.

Ficha Técnica

Som: Matheus Amado
Direção: Felipe Vieira
Roteiro adaptado: Regina Monique

Produção: Ana Carolina Santos, Karol Milk, André Castro e Paula Marques

Direção de arte: Ana Carolina Santos

Luz: Stepheen Abrego

🎟️ Ingressos:

  • Inteira: R$ 30,00
  • Meia-entrada solidária: R$ 15,00 (disponível para todos mediante a doação de 1 agasalho ou 1 kg de alimento não perecível).

Formas de pagamento:

  • Sympla:
    https://www.sympla.com.br/evento/o-baile-1976/3399124?share_id=copiarlink
  • Pix: obaile1976@gmail.com

Quem optar pelo Pix, por favor, me envie o nome completo e o CPF para que eu possa incluir seu nome na lista de entrada.

📱 WhatsApp: (67) 99820-2269

✨ Classificação indicativa: 16 anos. Menores de 16 anos poderão assistir desde que estejam acompanhados pelos responsáveis.

Helio Tinoco

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