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Home Cotidiano

Movimento red pill esbanja covardia, insegurança e fragilidade, por isso mata

Helio Tinoco by Helio Tinoco
24/05/2026
in Cotidiano, O Lado G
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Movimento red pill esbanja covardia, insegurança e fragilidade, por isso mata
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 Que o mundo está se transformando na velocidade do mundo digital e, com essa condição, se revelando a cada instante mais estranho e preocupante, traz a reboque a sociedade, e isso é óbvio ululante para todos nós pensantes.

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     Partindo de um olhar panorâmico sobre este planeta de nome Terra, pego como análise pessoal uma fatia. A fatia de gênero masculino na sua heteronormatividade. Tudo que assistimos de péssimo, de negativo, de desumano, de violento, de mesquinho, de degradante, de medíocre para a humanidade parte, exclusivamente, do gênero masculino de orientação heterossexual – até que me provem em contrário, sigo com a observação que levanto nesse texto – e atende pelo nome de red pill.

      Diante de todo esse caos que uma parcela desse gênero, em particular, vem promovendo no mundo, há um assustador, pelo menos no Brasil, que é a violência contra a mulher. Dados revelam que o primeiro trimestre de 2026 foi o mais letal para as mulheres até então. A brutalidade que muitos homens vêm promovendo é de alta periculosidade e consequências irreparáveis para toda a sociedade, principalmente a brasileira, e existe uma geração que está se construindo socialmente nesse ambiente altamente nocivo ao sentimento, às emoções, à sensibilidade e empatia pelo semelhante.

      Estamos chegando ao meio do ano. Praticamente seis meses se passaram e o que estamos assistindo é uma avalanche de violência e brutalidade, e o gênero feminino fica nessa “linha de tiro” desprotegido e ameaçado O feminismo sempre buscou, de forma leal e intelectual, debater a conquista de espaços e direitos para as mulheres. E, com muito suor, essas conquistas, ainda que parcas, chegaram. E hoje, o que assistimos é que o machismo dominante se revela, sem constrangimento algum, cada vez mais covarde, apesar de gritar “SOU MACHO, PORRA!”

     O movimento red pill nada mais é do que um “documento assinado” pelo patriarcado, no qual assume, categoricamente, na minha análise, “sou covarde, medroso e tenho medo do universo feminino”. E isso nada, absolutamente nada, tem a ver com aquela absurda frase que muitos homens professam para se mostrar indignados com a violência contra a mulher: “Só pode ser bicha para fazer isso com uma mulher!” “Bater em mulher é coisa de marica!”  Ao verbalizar esse discurso, eles estão protegendo o hétero e tentando transferir para os homossexuais o ódio pelo feminino.  Não, isso não é assim. Se existe um ser humano que se alia às causas feministas e acolhe uma mulher indefesa, é o homem cis-homossexual — cito essa condição apenas como contraponto ao hétero-cis.

      Retomo minha análise ao comportamento acovardado do homem, diante da mulher, que nunca, em toda a história do movimento feminista, o tratou como opositor ou mesmo inimigo. As causas defendidas por este movimento social pautam apenas direitos civis e sociais a esse grupo que sempre produziu desde tempos remotos da humanidade, como no feudalismo, por exemplo, e em seguida com a Revolução Industrial. E sempre sendo mantidas numa esfera de “isolamento” e inferioridade.

    Hoje, em pleno século 21, com a acelerada revolução tecnológica promovida pelo ambiente digital que afeta nossas vidas, e, poeticamente, até o girar da Terra em torno do sol, surge um movimento intitulado red pill, no qual homens que esbravejam sua masculinidade temem nitidamente pela ascensão da mulher na sociedade e buscam se organizar para promover e reforçar a submissão do feminino numa atitude de revolta e revanche, como se homens e mulheres fossem inimigos mortais.  

      O avanço do medíocre movimento red pill favorece, de maneira velada, a violência contra a mulher e promove uma rixa sem precedente, absurda e covarde entre dois seres que se necessitam e se completam para perpetuar a espécie humana no planeta, que o patriarcado insiste em destruir por medo. A vigilância a essa organização machista nociva deve ser constante e severa, porque, nesse embate, eles parecem preferir a morte, porém não admitem uma convivência civilizada entre ambos os sexos, como vem tentando o feminismo desde o final do século XVII e início do XIX.

O red pills não entendem que o feminismo não enfrenta o homem, mas sim, filosoficamente e socialmente, a estrutura da sociedade em que elas estão inseridas. O raciocínio raso de homens que se aliam a esse movimento é vergonhoso e perigoso a toda humanidade.

Em tempo: “red pill” ao pé da letra, “pílula vermelha”, faz referência ao filme Matrix (1999), em que pílulas vermelhas representavam optar por um despertar para uma árdua realidade, enquanto as azuis faziam permanecer numa situação de zona de conforto. Esse longa nada tem a ver com machismo ou conflitos entre homens e mulheres.  

Tags: Coluna Lado GDireitos da MulherMasculinidade tóxicaMatrixred pillViolência contra a Mulher
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Helio Tinoco

Helio Tinoco

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