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Home Cotidiano

Elas são maioria nas redações, mas salários maiores são deles

Renata Volpe by Renata Volpe
08/06/2025
in Cotidiano
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Embora representem 51,6% dos jornalistas atuantes em Mato Grosso do Sul, segundo dados do Sindjor-MS (2019), a realidade da profissão para as mulheres no Estado é marcada por desafios que vão da violência de gênero à precarização do trabalho. O cenário reflete a tendência nacional, especificamente a pesquisa do Dieese aplicada em 2021, e onde foi verificado que 49,9% dos jornalistas com carteira assinada no Brasil são mulheres, mas a equidade para além dos números ainda é distante.

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Mato Grosso do Sul ocupa o segundo lugar em feminicídios no País, contexto que exige das jornalistas um olhar sensível e humanizado. Tainá Jara, presidente da Comissão de Ética do Sindjor-MS, destaca a necessidade de abordagens responsáveis para lidar com tais temas. “A violência aqui é latente. Precisamos cobrir esses casos de forma a conscientizar, não revitimizar. Isso vale para todas as pautas: violência contra mulheres, pessoas negras ou LGBT+. Humanizar a cobertura é urgente.

Tainá, que já atuou em redações diárias locais e hoje trabalha em assessoria, reforça que a presença feminina na profissão impulsiona essa mudança. “Mulheres entendem o constrangimento e a dificuldade de reconstruir uma vida após a violência. Nossa vivência transforma o jornalismo”.

A predominância feminina no jornalismo reflete um paradoxo: quanto mais mulheres, maior a desvalorização da categoria. Na avaliação da representante do Sindicato, isso acontece porque a profissão é vista como ‘trabalho de mulher’ e, por isso, paga menos. É herança do machismo que trata nossa mão de obra como barata”.

E o bolso delas sente a desproporção de tratamento, na comparação com os profissionais do sexo masculino. Os dados nacionais comprovam a desigualdade e revelam que, em 2021, o salário médio das jornalistas chegava a R$ 5.575,40, valor equivalente a 94,3% do recebido pelos homens.

Para aquelas que conseguiram chegar aos cargos de chefia, a diferença foi ainda maior, podendo chegar a 41,3% menos. Enquanto as diretoras de redação ganham R$ 7.714,50, os diretores embolsam R$ 13.161,80 para desempenhar a mesma função.

“Estamos rompendo a cultura do sensacionalismo. Mulheres trazem empatia, e isso redefine como as histórias são contadas”

Ainda que existam obstáculos persistentes para o desempenho das funções jornalísticas, a presença feminina contribui para a transformação da maneira como a informação é tratada, acredita Tainá Jara. “Estamos rompendo a cultura do sensacionalismo. Mulheres trazem empatia, e isso redefine como as histórias são contadas”.

A profissional, contudo, alerta para a urgente necessidade de transformação do comportamento direcionado à mulher. Na avaliação dela, enquanto Mato Grosso do Sul seguir liderando rankings de feminicídio e fronteiras violentas, a atuação das jornalistas permanecerá uma batalha diária — por vidas, por direitos e por um jornalismo que dignifique a profissão.

Tainá destaca que o risco do exercício da profissão é, ainda, acentuado pela localização geográfica de Mato Grosso do Sul, por compartilhar a fronteira com o Paraguai e a Bolívia. Na área fronteiriça, o tráfico de drogas é intenso, expondo profissionais a perseguições e, até, a execuções. “Jornalistas que denunciam crimes na fronteira estão desprotegidos. Muitos buscam o sindicato, mas nossa capacidade de apoio é limitada sem ajuda do Judiciário”, lamenta.

Fonte desta matéria:

Quem é o Jonalista Brasileiro?
Tags: Dia Internacional da MulherMasculinidade tóxica no trabalhoResiliência femininaTrabalho da Mulher em Mato Grosso do Sul
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Renata Volpe

Renata Volpe

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