Trabalhadores da Bolívia suspendem atos contra crise de combustíveis
Um dos setores que recuou foi o dos motoristas de La Paz, que haviam anunciado uma greve de 48 horas
El Deber - 24/03/2025
ONU Mulheres


A crise econômica que atinge a Bolívia tem provocado tensão e mobilizações em diversos setores do país. Ainda assim, mesmo após ameaças de protestos e paralisações, algumas das principais manifestações previstas para esta segunda-feira foram adiadas ou canceladas. Apesar disso, organizações envolvidas nas negociações com o governo afirmam que seguem em estado de alerta.
Um dos setores que recuou foi o dos motoristas de La Paz, que haviam anunciado uma greve de 48 horas, mas decidiram suspendê-la após reunião com representantes do governo. Segundo a liderança da categoria, o grupo permanece em estado de emergência e poderá retomar as medidas caso as negociações não avancem.
Outra mobilização adiada foi a do Comitê Multissetorial da Cadeia Produtiva, que planejava uma marcha de La Apacheta ao centro de La Paz nesta segunda-feira. O presidente da Câmara Nacional de Indústrias, Pablo Camacho, informou que um diálogo técnico com o governo foi agendado para discutir a importação de combustíveis. A reunião acontecerá na capital boliviana.
Já o Ministro de Minas e Metalurgia, Alejandro Santos, anunciou um acordo com a Federação Nacional de Cooperativas de Mineração da Bolívia, garantindo o fornecimento de combustível ao setor. Com isso, qualquer tipo de paralisação foi descartada.
A Federação Departamental de Trabalhadores Camponeses de La Paz "Túpac Katari" segue aguardando resposta do governo a uma lista de reivindicações entregue na semana passada. O grupo estipulou um prazo de 72 horas para obter retorno antes de definir novas medidas de protesto.
Marchas confirmadas em
Santa Cruz e El Alto
Apesar do cancelamento de alguns protestos, outras manifestações estão confirmadas para esta segunda-feira. O Comitê Pró Santa Cruz convocou uma marcha para as 18h, batizada de "Grande marcha contra o colapso econômico e a escassez de combustível". A concentração será na Plaza del Estudiante, com destino à Plaza 24 de Septiembre. Segundo Agustín Zambrana, primeiro vice-presidente do Comitê, a mobilização tem o objetivo de "estabelecer um caminho para liberar a influência do governo central nas regiões que foram abandonadas".
Zambrana também afirmou que novas medidas de pressão podem ser adotadas no futuro, embora tenha descartado bloqueios e greves neste momento. Ele destacou que outras cidades, como El Alto, Beni e Cochabamba, também terão atos nesta segunda-feira.
Outro setor que mantém a mobilização é a Federação de Conselhos de Bairros (FEJUVE) de El Alto. Liderado por Juan Saucedo, o grupo realizará uma "grande marcha de protesto contra a crise econômica, política e social", saindo do Ceja Multifuncional às 7h com destino ao centro de La Paz.
Postos de combustível voltam
a operar com menos filas
Enquanto as negociações seguem e os protestos ocorrem, a situação nos postos de combustível nas capitais bolivianas começa a melhorar. De acordo com relatos da mídia local, as filas já não são tão longas como nos últimos dias. No entanto, em algumas províncias, a escassez ainda preocupa.
Armin Dorgathen, representante da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), destacou que a distribuição está sendo normalizada gradualmente. "Já podemos ver nos postos de gasolina que as filas, principalmente para gasolina, estão muito mais curtas, e estamos reduzindo gradativamente as filas de diesel", afirmou.
A crise econômica e a instabilidade política na Bolívia continuam a alimentar tensões e incertezas, com diferentes setores pressionando o governo por soluções. O desfecho das negociações nos próximos dias será crucial para determinar se as mobilizações se intensificarão ou se os acordos estabelecidos serão suficientes para acalmar os ânimos.
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