Palestinas denunciam aumento da violência sexual por forças de Israel

Mulheres palestinas relatam abusos por soldados israelenses e uso da violência sexual como arma de guerra

Sandra Luz - 08/03/2025

ONU Mulheres

Denúncias de estupros contra mulheres palestinas cometidos por forças israelenses aumentaram após os eventos de 7 de outubro de 2023. A conclusão está no relatório do WCLAC (Women's Centre for Legal Aid and Counselling), liderado por Kifaya Khraim, e que tem documentado relatos perturbadores de mulheres e meninas palestinas que afirmam ter sido vítimas de violência sexual, tortura e estupro por parte de soldados israelenses. Além de Gaza, os relatos são registrados em Jerusalém e na Cisjordânia.

As mulheres entrevistadas pelo WCLAC relataram que foram detidas sem acusação formal e submetidas a detenção administrativa. Muitas descreveram ser revistadas, forçadas a se despir, espancadas nos órgãos genitais e ameaçadas com estupro. Em alguns casos, afirmam ter sido fotografadas nuas e agredidas em centros de detenção ou postos de controle militares. Segundo Khraim, “a uniformidade dos métodos de abuso indica que os soldados israelenses podem ter recebido diretrizes específicas para tratar mulheres palestinas dessa maneira, explorando o estigma cultural para silenciá-las”.

A cobertura midiática ocidental tem sido criticada por perpetuar uma narrativa que justifica a ocupação israelense, enquanto ignora a violência sexual cometida contra palestinos. Veículos como The Intercept e Electronic Intifada refutaram alegações de estupros em massa por combatentes do Hamas durante o ataque de 7 de outubro, destacando a falta de evidências concretas e o uso desses relatos como propaganda para legitimar ataques a Gaza. Enquanto isso, a ONU (Organização das Nações Unidas) teve um pedido de investigação independente sobre essas denúncias bloqueado pelo governo israelense.

Relatos de abuso sexual dentro de prisões israelenses também são amplamente documentados por organizações de direitos humanos como Save the Children e Human Rights Watch. Crianças palestinas sob custódia do exército israelense também relatam episódios de tortura e estupro. Em um caso documentado pela Defense for Children International, um menino palestino de 13 anos denunciou ter sido violentado em uma prisão israelense. Quando a organização reportou esse abuso ao governo dos EUA, Israel reagiu fechando sua sede na Cisjordânia.

Apesar do medo e do estigma, mais mulheres palestinas têm encontrado forças para compartilhar suas experiências. "Elas tinham medo de falar sobre isso antes, mas agora falam porque muitas estão sendo abusadas sistematicamente", afirma Khraim. O reconhecimento desses crimes é essencial para que se busque justiça e proteção para as mulheres e meninas palestinas afetadas pela ocupação militar israelense.