Liberdade
Silvana Melo Tude
Alô.
Oi, como vai?
Bem?
O que você está fazendo?
Estou escrevendo um poema que começa assim: nós precisamos de liberdade para ser o que somos, nós podemos ser:
Enfermeiras;
Atrizes.
Meretrizes.
Professoras;
Médicas.
Arquitetas.
Promotoras;
Advogadas;
Vendedoras ambulantes.
Somos quem faz o mais brasileiro dos salgadinhos: a coxinha.
Somos engenheiras, cientistas;
As famosas pelo calor da hora.
As infectologistas;
Freiras de luta nesses rincões do Brasil;
Lavradoras;
Fotógrafas.
Cantoras.
A memória do rádio.
Modelos;
Empregadas domésticas.
Babás.
Faxineiras.
Donas de casa.
Avós.
Avós profissionais;
Mães;
Mães profissionais;
E nós precisamos de um grito de guerra que seja um grito de paz. A paz está nas nossas mãos, que abençoam o pão que todos comem. Nós nos dedicamos às nossas profissões e aos nossos papéis. Precisamos exorcizar nossos medos, precisamos dizer nosso silêncio. Precisamos chorar. Precisamos cobrar dos que têm poder que nós não queremos mais ser violentadas. Não queremos mais ser espancadas. Não queremos mais ser mortas.
O que nos faz ser mulher, Deus ou serpente, a verdade ou mentira. Somos dela. Somos fortes. Somos corpo e espírito. Respeitamos todos os papéis da nossa sociedade, mas não nos deixem sem papéis, porque só queremos ser protagonistas do nosso próprio destino.
Um abraço a todas as mulheres desse país.
Silvana Melo Tude tem 68 anos. É aposentada e escritora nos tempos do ócio criativo. Natural de Caetité - Bahia, é filiada ao Partido dos Trabalhadores. Compartilha do Movimento da Luta Antimanicomial. É ambientalista de fé, mãe de dois filhos, avó de um neto e continua acreditando que o ser humano tem jeito.


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